Eu sei que a minha frequência de escrita não tem sido das melhores... E reconheço que aquilo que escrevo é mais uma visão pessoal do mundo que uma ajuda ao mundo através de uma experiência pessoal. Mas enfim, se não podemos fazer esse tipo de coisas na internet e na blogoesfera, onde raio haviamos de o fazer?
Updates "à la minute":
- o Natal passou, o Ano Novo passou e a escala numérica que nos informa da velhice em termos de anuidade subiu mais um pontinho.
- os cortes orçamentais são uma pandemia mais real que a da gripe A (afinal o meu instinto de conspiração estava correcto e não devia ter cedido à pressão de pares e ter recebido a vacina)
- nevou na Irlanda, o país quase parou e muita gente não teve água porque os canos congelaram. Andei de bicicleta na neve e no gelo e chamaram-me suicida bastantes vezes.
- vôos cancelados, novos bilhetes de avião mais caros que ouro, 10 horas de espera num aeroporto sem grande espaço para entretenimento e uma aterragem demasiado turbulenta.
- resfriado e perda quase total de pele saudável nas mão devido a regras básicas de higiene de qualquer enfermeiro que se preze.
O meu ano começa como o de qualquer pessoa... Com um grande susto quando se espreita a conta bancária e nos deparamos com um número bem mais pequeno do que o previamente consultado.
Mas não sofro terramotos, a minha família pode estar longe num país governado por incompetentes mas está bem e não preciso de me preocupar excessivamente com eles. Por isso, e apesar de me queixar constantemente da vida e dos obstáculos a que me submeto por ser como sou (uma das heranças de se ser Português), até estou muito bem e pertenço aquela fatia mundial que tem acesso a muita coisa. Enfim... (suspiro).
Happy new year, cuidado com os doces, muito exercício, paz, amor e auseência de catástrofes humanitárias, naturais ou provocadas.
Wednesday, January 27, 2010
Tuesday, December 1, 2009
Paranã Puca
Pois é... Há pessoas milionárias e outras com familiares espalhados pelo mundo fora. Ora, eu pertenço ao segundo grupo e por isso Pernambuco, no Brasil, foi o local escolhido para 10 dias de férias. Obrigada Tito pelas fantásticas férias, mesmo com os seus precalços (gastroenterites, picadelas de mosquitos e roedores em avançado estado de decomposição). Aqui ficam as imagens. Xô Stress!!!


P.S. - Ah, e não me podia esquecer da Pepper (ou Pepa), a cadela mais "massa" de Olinda. :)
Sunday, October 18, 2009
Cantar de Emigração
Há uma canção popular Portuguesa com este título. Na voz de Isabel Silvestre soa a rústico, provinciano e antigo... e talvez a canção mais acual para muitos jovens portugueses que nem sabem sequer que esta existe.
Ontem fui notícia de jornal... Bem, não literalmente, mas o meu testemunho estava lá, nas páginas 20 e 21 do semanário Expresso.
Sempre quis fazer algo de bom, de maior para alguém que eu mesma. Algo verdadeiramente altruísta sem ser demasiado majestoso... Achei que dar voz a um "Cantar de Emigração", principalmente no que toca à enfermagem, seria uma forma de o fazer.
Podiamos ouvir mil e uma estórias (e histórias) de jovens licenciados que acabam no desemprego ou, mais frequentemente, a trabalhar em condições precárias ou em áreas completamente diferentes daquelas para as quais queimaram pestanas (serviços como restauração ou comércio). Além do dinheiro que gastam em fotocópias, envelopes e selos para candidaturas espontâneas e respostas a concursos, têm de sobreviver à angústia de esperar por uma resposta, mesmo que negativa, o que por norma não acontece. O desrespeito é, pelos vistos, uma nova forma de combate à recessão e à crise económica.
Muitos deixam-se ficar e aceita trabalhar segundo os termos mais atrozes no que toca à dignidade de certas e determinadas profissões. E as entidades empregadores continuam intocáveis porque sabem como fugir à justiça... Muitas vozes se calam, outras são caladas, umas por medo outras por não encontrarem uma alternativa mais condigna. Há os que são corrompidos pelo sistema, os que se deixam corromper e os que deitam axas para a fogueira da cunha, do compadrio e do tacho.
Quero acreditar na justiça, no "mundo melhor", na força de carácter e na união do povo. Talvez me acusem de comunista ou socialista e não viraria a cara ao que à primeira vista poderia ser tomado como insulto.
A mudança começa em cada um de nós, nas nossas escolhas.
O meu manifesto: párem os queixumes e comece a acção. "Não, não vou por aí", diz José Régio no poema "Cantigo Negro". Ide por outro lado, ide para outro lado, mas não por aí.
Ontem fui notícia de jornal... Bem, não literalmente, mas o meu testemunho estava lá, nas páginas 20 e 21 do semanário Expresso.
Sempre quis fazer algo de bom, de maior para alguém que eu mesma. Algo verdadeiramente altruísta sem ser demasiado majestoso... Achei que dar voz a um "Cantar de Emigração", principalmente no que toca à enfermagem, seria uma forma de o fazer.
Podiamos ouvir mil e uma estórias (e histórias) de jovens licenciados que acabam no desemprego ou, mais frequentemente, a trabalhar em condições precárias ou em áreas completamente diferentes daquelas para as quais queimaram pestanas (serviços como restauração ou comércio). Além do dinheiro que gastam em fotocópias, envelopes e selos para candidaturas espontâneas e respostas a concursos, têm de sobreviver à angústia de esperar por uma resposta, mesmo que negativa, o que por norma não acontece. O desrespeito é, pelos vistos, uma nova forma de combate à recessão e à crise económica.
Muitos deixam-se ficar e aceita trabalhar segundo os termos mais atrozes no que toca à dignidade de certas e determinadas profissões. E as entidades empregadores continuam intocáveis porque sabem como fugir à justiça... Muitas vozes se calam, outras são caladas, umas por medo outras por não encontrarem uma alternativa mais condigna. Há os que são corrompidos pelo sistema, os que se deixam corromper e os que deitam axas para a fogueira da cunha, do compadrio e do tacho.
Quero acreditar na justiça, no "mundo melhor", na força de carácter e na união do povo. Talvez me acusem de comunista ou socialista e não viraria a cara ao que à primeira vista poderia ser tomado como insulto.
A mudança começa em cada um de nós, nas nossas escolhas.
O meu manifesto: párem os queixumes e comece a acção. "Não, não vou por aí", diz José Régio no poema "Cantigo Negro". Ide por outro lado, ide para outro lado, mas não por aí.
Wednesday, September 16, 2009
Friday, September 4, 2009
Afinal o Natal existe!
Pois é, meus caros seguidores, o mundo é um lugar estranho, estúpido, cão e cheio de surpresas agradáveis.
Após umas merecidas férias ao sol, regressei à chuva miudinha e ao vento chicoteante de Dublin. Levantei-me para o primeiro dia de trabalho pós férias, pensando que ia ter um dia agitado e que ia chegar a casa com uma larica descomunal... Perdida nos meus maravilhosos dilemas de quem está cheio de sono, desci as escadas que dão acesso à garagem e só pensava em pedalar a... Mas que porra?! Onde raio está a Tininha? O espaço estava lá, a bicicleta não. Cadeado cortado. Toca a correr escada acima até ao apartamento e upa para o trabalho. Foi, efectivamente, um dia merdoso: afinal de contas, tinha sido usurpada do meu investimento e amor de uma emigração. Aquele bike era parte de mim, tinhamos uma relação de amor, carinho e vento na fronha.
Pois bem, toca a ir à polícia e dar conta da minha triste sina (extremamente prestáveis devo sublinhar). E tem um autocolante aqui, e outro ali, e uma campainha e a luz fica aqui e... a descrição pormenorizada toda. E foto? Foto?! Hum, não tenho mas arranja-se. Depois volta cá para o depoimento.
E pronto, parecia que o meu destino estava traçado em ter de continuar a pagar uma bike da qual não poderia mais usufruir.
Hoje de manhã lá ganhei coragem para voltar à garagem, na tentativa de investigar a existencia de câmaras de vigilância que pudessem ter registado o infeliz acontecimento (o cadeado cortado ainda lá está). Sacanas, filhos de uma grandessíssima ratazana gorda, feia, peluda e com sífilis (era mais fdp mas queria proteger-vos de linguagem menos própria)! Há câmaras! Ah ah ah, vão ser apanhados! pensava eu enquanto roia o meu rancor pelos assaltantes e chorava a dor da separação (tentando simultaneamente continuar com a minha vida).
Até que tive uma ideia brilhante (que já tinha aparecido anteriormente mas que só então decidi executar): e se eu fosse falar com a equipa de segurança? Com um sketch de imagens da net da Tininha e seus upgrades, lá fui eu ao casebre dos seguranças na esperança de que guardassem os vídeos de vigilância.
Passando pormenores à frente porque vocês já estão a ficar cansados e eu estou a tentar render demasiado o peixe...
AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!! TININHA!
Sim, senhora! Encontrei a minha bike... Recuperada de um assalto furtivo pelos tipos da segurança aqui do complexo, agora os meus heróis favoritos a quem passarei a levar bolachinhas caseiras e que entrarão para sempre nas minhas orações diárias, secção agradecimentos. Foi Natal, Ano Novo, Páscoa, Aniversário e lotaria tudo num só - como diria a Margarida ORGÁSMICO.
E assim sendo, estou muito feliz. Descobri que o pensamento positivo resulta, que a justiça até funciona e que tenho de descobrir mais acerca de seguros para bicicletas.
Thank you Comrade people. Keep up the good work.

Thursday, August 27, 2009
Mr Sniffer
O Olfactidium corporalae abjectis enquadra-se no conjunto de espécies em vias de extinção (para alegria de muitos de nós). Também conhecido como "Cheirinhas" (ou "Sniffer" na língua inglesa), este personagem é vulgarmente vaiado com frases semelhantes a "Yuck!", "Pára com isso", "Que nojo", "Mas será que não tem maneiras" ou "Acho que vou vomitar!".
Mas afinal o que faz o Mr Sniffer?, perguntam vocês. Talvez se venham a arrepender dessa mesma questão. Contudo, o meu dever é relatar a história destes bichos e não zelar pelos vossos interesses digestivos... O Cheirinhas é conhecido pelo seu fantástico hábito de cheirar tudo aquilo que, à primeira vista, soa a repugnante (e não estou a falar do Chanel nº5): mete a mão no sovaco - cheira; eructa (arrota) - cheira; flatulência, mão na zona nadegueira - cheira; limpa o chulé dos pés - cheira; tira o cotão do umbigo - cheira. No fim do cheiramento da coisa, faz cara feia mas rejubila de contentamento ao deparar-se com os seus proprios odores corporais.
E pronto... acho que não é preciso dizer mais nada...
Mas afinal o que faz o Mr Sniffer?, perguntam vocês. Talvez se venham a arrepender dessa mesma questão. Contudo, o meu dever é relatar a história destes bichos e não zelar pelos vossos interesses digestivos... O Cheirinhas é conhecido pelo seu fantástico hábito de cheirar tudo aquilo que, à primeira vista, soa a repugnante (e não estou a falar do Chanel nº5): mete a mão no sovaco - cheira; eructa (arrota) - cheira; flatulência, mão na zona nadegueira - cheira; limpa o chulé dos pés - cheira; tira o cotão do umbigo - cheira. No fim do cheiramento da coisa, faz cara feia mas rejubila de contentamento ao deparar-se com os seus proprios odores corporais.
E pronto... acho que não é preciso dizer mais nada...
Sunday, July 26, 2009
Unhaca
A espécie Ungis mindinhus longae parece existir em terras lusas desde a pré-história. Consta-se que terá aparecido pela primeira vez na zona de Vila Nova de Foz Côa, numa altura em que o pêlo de cavalo não abundava e os galhos das árvores tinham sido afectados por uma epidemia atroz. Assim sendo, um Gajo das Cavernas iluminado decidiu utilizar a unha do dedo mindinho na decoração do seu habitáculo, gravando para sempre as suas aventuras de caçada nas rochas da região e marcando para sempre a cultura do que, muitos anos mais tarde, seria um país.
Ao longo dos séculos a "Unhaca" foi sendo utilizada para fins diversos desde a agricultura (na abertura de delicados regos para as sementeiras) à tortura (Unhaca cravada na pele é do caneco), mas o expoente máximo da Unhaca será nos campos da música e da higiene pessoal.
Desconhece-se ainda a altura específica em que aconteceu mas, reza a lenda da agora extinta UPU (União Portuguesa da Unhacofilia), terá sido numa fria tarde de Inverno em que um jovem tocador de guitarra da Universidade de Coimbra, com os dedos frios e gelados, as mãos sem luvas, decidiu utilizar a sua Unhaca para dedilhar a sua "dama" (a guitarra, claro). Ora, espantados pelo som esplêndido que dali surgiu, todos os guitarristas da sua geração e seguintes, deixaram crescer as garras e passaram a utilizá-las na composição de belas baladas. Ainda hoje quem não pode, por razões particulares, ter uma unhaca natural, pode adquirir uma postiça, de diferentes tamanhos, feitios ou cores, em qualquer loja de música.
De qualquer forma, o expoente máximo da Unhaca terá surgido pela altura de crise na maior fabrica de cotonetes do país, a Cotonetaria Nacional. Assim sendo, belos espécimens masculinos portugueses, deixaram crescer a unha do dedo mindinho e rapidamente a utilizaram para retirar cera do ouvido, pentear barba e/ou bigode, coçar onde mais tivessem comichão ou retirar restos de comida de entre os dentes.
Mas claro, como tudo na vida, a industrialização e invenção de novos produtos vieram baixar os números deste fenómeno: novos cotonetes, mais seguros e cómodos; fio dentário; mãozinhas de madeira para coçar; chaves de carro de formato mais aerodinâmico para a remoção do cerúmen.
E pronto... chegamos aos dias de hoje. Eu tenho fé, muita fé, no reaparecimento da Unhaca. À semelhança das unhas de gel, a unha comprida do dedo mindinho masculino voltará a viver em todo o seu esplêndor, quiçá embelezada por verniz de cores apetecíveis ou decorada com pequenos autocolantes de temas másculos (como carros, bolas de futebol ou gajas nuas). Talvez venha a salvar o nosso país da recessão e a cultura Europeia ficará muito mais rica. Cristiano Ronaldo, ajuda-nos!
Ao longo dos séculos a "Unhaca" foi sendo utilizada para fins diversos desde a agricultura (na abertura de delicados regos para as sementeiras) à tortura (Unhaca cravada na pele é do caneco), mas o expoente máximo da Unhaca será nos campos da música e da higiene pessoal.
Desconhece-se ainda a altura específica em que aconteceu mas, reza a lenda da agora extinta UPU (União Portuguesa da Unhacofilia), terá sido numa fria tarde de Inverno em que um jovem tocador de guitarra da Universidade de Coimbra, com os dedos frios e gelados, as mãos sem luvas, decidiu utilizar a sua Unhaca para dedilhar a sua "dama" (a guitarra, claro). Ora, espantados pelo som esplêndido que dali surgiu, todos os guitarristas da sua geração e seguintes, deixaram crescer as garras e passaram a utilizá-las na composição de belas baladas. Ainda hoje quem não pode, por razões particulares, ter uma unhaca natural, pode adquirir uma postiça, de diferentes tamanhos, feitios ou cores, em qualquer loja de música.
De qualquer forma, o expoente máximo da Unhaca terá surgido pela altura de crise na maior fabrica de cotonetes do país, a Cotonetaria Nacional. Assim sendo, belos espécimens masculinos portugueses, deixaram crescer a unha do dedo mindinho e rapidamente a utilizaram para retirar cera do ouvido, pentear barba e/ou bigode, coçar onde mais tivessem comichão ou retirar restos de comida de entre os dentes.
Mas claro, como tudo na vida, a industrialização e invenção de novos produtos vieram baixar os números deste fenómeno: novos cotonetes, mais seguros e cómodos; fio dentário; mãozinhas de madeira para coçar; chaves de carro de formato mais aerodinâmico para a remoção do cerúmen.
E pronto... chegamos aos dias de hoje. Eu tenho fé, muita fé, no reaparecimento da Unhaca. À semelhança das unhas de gel, a unha comprida do dedo mindinho masculino voltará a viver em todo o seu esplêndor, quiçá embelezada por verniz de cores apetecíveis ou decorada com pequenos autocolantes de temas másculos (como carros, bolas de futebol ou gajas nuas). Talvez venha a salvar o nosso país da recessão e a cultura Europeia ficará muito mais rica. Cristiano Ronaldo, ajuda-nos!
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