Wednesday, December 10, 2008

Verdades ou (In)Consequências


(Porque me pediste com jeitinho)


Ao fim de 24 anos de existência cheguei a algumas brilhantes conclusões:

- A minha mãe será sempre super protectora
- Haverá sempre tipos cretinos que me irão magoar (e despedaçar o coração)
- Em algum momento acharei a minha melhor amiga uma besta quadrada
- Os planos nunca sairão exactamente como os tinha projectado
- Nunca ganharei tanto dinheiro quanto gostaria
- O Pai Natal sempre trará uma prenda que eu preferia que não tivesse trazido
- Os meus chefes serão sempre toinos e eu direi sempre mal deles
- Haverá sempre alguém na festa que sentirei que é mais bonita do que eu (por muito que eu seja uma sex bomb)
- Se comer demasiado e não mexer o traseiro vou engordar
- Vou sempre sofrer de ressaca após uma noitada de muito álcool e pouco sono
- Sempre vou querer ir para onde nunca fui e nunca vou querer estar onde estou "porque eu só quero ir, aonde não vou"
- Haverá sempre alguém ou algo que me faça rir e esquecer tudo isto, para voltar a ser idiota e acreditar que é possível um mundo melhor.

Tuesday, December 9, 2008

Epifania


~Quero reciclar velhos pensamentos e sentimentos, transformá-los numa bela peça de arte contemporânea da minha própria vida.
~Quero os pontos de interrogação e de exclamação, as reticências e as vírgulas, procurando que sejam parcos os pontos finais... afinal quero uma história rica em emoções, numa mancha gráfica agradável onde há sempre espaço para algo mais.
~Quero a riqueza do mundo simples, o barulhinho bom de copos de vinho e alegres pratos nas conversas de sexta feira à noite entre amigos, a luz das velas e o som de guitarras acústicas.
~Quero que as minhas mãos se moldem, tocando, sentindo, integrando a sensação de cada coisa em si como única, guardando-a na pele.
~Quero "aquele abraço", apenas teu, a cada reencontro.
~Quero o doce beijo em que me entrego de cada que te vejo e compreendo que a imagem reflectida no teu olhar não é diferente da que encontro no reflexo do meu espelho.
~Quero sentir a alegria e a luz do reconhecimento dos pormenores diários, vulgares, presentes de um Deus do quotidiano que tantas vezes rejeitei.
~Quero apenas sentir-me eu, nos cinco sentidos e mais alguns, e partilhar isso contigo para que cresçamos juntos...

Sunday, December 7, 2008

International Girls

I am Portuguese, I speak English and I French kiss. :)

Advento

Pelos vistos a minha inspiração é cíclica e coincidente com momentos religiosamente ímportantes de um católico que se preze. E pronto... Quase 10 meses de Irlanda depois aqui continuo. Ponto de situação:
- Ainda solteira;
- Ainda a trabalhar com bebés;
- A morar na 3ª casa (apartamento 333);
- Com um filho nos braços (atenção que o Rodrigo é o meu manequim de massagem infantil);
- Uma excelente visita extra familiar que foi um presente antecipado de Natal;
- Mais independente, segura de mim e feminina;
- Ainda incerta quanto ao que fazer para construir o meu futuro.
Mas também não importa, o caminho faz-se caminhando, o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos e ser feliz deve ser um meio de vida e não um objectivo em si mesmo. Podem ser frases feitas, mas têm o seu sentido.

(Obrigada, Ru)

Wednesday, April 16, 2008

De volta a casa...

E assim a filha pródiga (também, quem é filho único não tem grande alternativa) regressou a casa de seus pais... mas apenas por alguns dias.

Isto de se voltar às origens, mesmo que por motivos de férias, leva-nos muitas vezes a recordar o motivo do movimento migratório, no meu caso em particular emprego (ou a ausência dele, para ser mais concreta).

Sunday, March 23, 2008

Happy Easter!!!

Hoje ainda é dia de Páscoa.
À partida esta simples afirmação/frase pode parecer um pouco descabida para o mais comum dos mortais: porque é algo tão simples que parece quase ridículo, porque não tem sentido para outros, porque é um dia de trabalho como outro qualquer...
Para quem está longe, como eu, é mais um dia longe da família e do país de origem, longe das tradições, das cores, dos cheiros, das memórias e rotinas que caracterizam o ano e dão um marco temporal às coisas. Por isso esta Páscoa é diferente... Não há o eco de sinos festivos no ar ou túnicas brancas a flutuar ao vento; não cheira a feno, cera de abelha ou pão-de-ló; não há amêndoas cobertas de açúcar com aroma baunilhado ou coloridas drageias de licor em formato de feijões, morangos, bebés ou pombas; não há roupa a estrear ou as conversas animadas da minha família (pais, avó, tios); não há a visita da "madrinha" ou as gargalhadas das Piscas quando se penduram no meu pescoço. A todo este sentimento de suposto vazio, os Portugueses chamaram um dia de "saudade".
No tempo da velha Glória, quando o mundo parecia pertencer a apenas dois países (Portugal e Espanha), muitos partiram em navios e naus à procura de um "Vale Encantado". Mais de 500 anos volvidos a tradição já não é o que era mas o movimento de pessoas e bens não mudou: agora é mais o avião.
De qualquer forma, nem tudo foi melancolicamente triste no dia de hoje. Criamos novas amizades e novas... tradições. Eu, o Artur, a Ana e a Marta decidimos dar continuidade às coisas, juntamo-nos aqui em casa e almoçamos todos juntos. E assim se fez a festa, entre risos, piadas secas (mea culpa), frango assado, crumble de maçã, bolo de chocolate e Mateus rosé. Contaram-se estórias de enfermeiros entre enfermeiros (às vezes é giro), discutiu-se o tempo, o movimento nas ruas, os autocarros e os meus dotes culinários... E quando eles se foram embora (porque amanhã é dia de trabalho), a luz do dia tornou-se um pouco mais vaga e difusa e o calor da partilha e da comunhão pareceu escapar pelas frinchas das portas e das janelas...
Mas são todas estas memórias, mais antigas ou recentes, que dão força para continuar. Os e-mails da família que se lembra de nós e faz questão de marcar presença em dias "marcantes".
E de tudo isto se faz um arco-iris(h): a ponte entre o passado e um futuro presente.

Friday, March 14, 2008

[Original: Sábado, 09-02-2008]



Está um dia bonito em Dublin: o sol brilha, o ar está fresco e relativamente limpo... respirável, vá. É Sábado e, portanto, o nó de carros e autocarros por m2 (metro quadrado) diminui. Aumenta o nó de pessoas em passo de "ver montras" ou "apreciar a paisagem", assim como o número de artistas e bancas de rua nas principais avenidas comerciais. Acho que este movimento menos frenético suaviza os traços da cidade e a torna mais convidativa. [Aviso: Se quiserem tossir, não metam uma colher de sopa na boca; o resultado pode ser bocados de cebola no nariz]
Uma vez que deixei o caderno das "sagradas escrituras" no hostel e os papéis que carrego religiosamente atafulhados na agenda já estarem sobrecarregados de sarrabiscos, tive de recorrer a um velho amigo para dar base de sustentação às ideias (e à tinta da caneta, claro está): o Guardanapo de Papel. Pergunto-me se isto seria apanágio de algum escritor famoso... Não que isso me fizesse sentir superior ou inferior, apenas curiosidade e simpatia por hábitos partilhados.
Os textos em guardanapo são diferentes: Espera-se uma esperança média de vida menor, dada a fragilidade do papel... Pensamentos parafilosóficos à parte (será que esta palavra existe?), era suposto escrever umas linhas sobre o que se está a passar por cá.
Falha até agora: tantos Pratugueses (sim, acho que é uma nova raça/espécie/estirpe de pessoas de nacionalidade portuguesa) e não há loja Portuguesa por cá? Isso era uma coisa gira para se colmatar...
A malta gosta de comer de envelope, de levar no pacote e trabalhar para o crescimento lateral (expressões para: sanduiches, take-away ou come em casa e obesidade). Não admira que precisem de enfermeiros... Confesso que em dias de preguicite aguda (essa terrível maleita sem cura possível) e de melancolia vegetativa, tudo isso é óptimo. Pelos vistos a mistura de gorduras saturadas e de açúcares de absorção rápida tem um efeito momentaneamente positivo no humor.
A sexta feira parece ser o dia da doidivanice. A gera sai aos magotes para o pub mais próximo para emborcar umas valentes pints de Guinness (só ainda não descobri para onde vai a "canalhada").
Feias, bonitas, jeitosas, esqueléticas, a fazer publicidade aos pneus Michelin ou "assim-assim", as miúdas/mulheres adoram o vulgo "cinto" português: brutas mini-saias que revelam muito (ou quase tudo) acerca das pessoas que as vestem. Calma... Uma boa mini-saia nunca feriu os olhos a ninguém (muito menos ao sexo masculino), mas decerti concordam que há PERNAS... e pernas. Talvez a piada estivesse em que moçoilos quisessem descobrir o produto e não mostrá-lo logo de uma só vez.
Pelo andar da carruagem este pessoal vai precisar de fígados e vasos sanguíneos novos muito brevemente. Nada de anormal e extraordinário se pensarmos que este é o cenário na grande maioria dos países europeus.
Enfim... Acho que gosto disto; é divertido (por agora).